terça-feira, 21 de novembro de 2017

E você (não gosto deste 'você', mas lá terá de ser) já tomou banho hoje? Já leu o jornal hoje?

Imbuída de todo um espírito muito pouco natalício, admito, este ano nem um leve aroma a Natal consigo sentir no ar, espero que a coisa entretanto se dê, ou lá terei que adiar, tal como os banhos, para Dezembro do próximo ano. 

Bom, não era bem isto, isto que escrevi acima que me trouxe até aqui, o que eu gostaria de perguntar às pessoas que queiram entrar e dizer algo, é o que destacariam nesta capa do jornal. Aquilo que mais lhes salta à vista e acham de grande e avassaladora relevância (esta parte da 'avassaladora relevância', até que não me saiu nada mal)...



segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Coisas que me aborrecem e que, imagino, não terão o carimbo de somenos importância. Falo da seca, à minha maneira.

A seca. Neste momento os jornais bombardeiam-nos até à exaustão tentando consciencializar a população portuguesa de que é necessário poupar água. Até aqui tudo bem, ou não. Vou colar-me ali à parte do 'ou não', sem que antes escreva que me faz alguma confusão que se tenha de ensinar gente adulta a fazer coisas que, supostamente, gente adulta deveria fazer desde sempre sem precisar do Governo em modo pai para o repreender e dizer: filhinhos, a partir de agora toca de fechar a torneira quando se lava os dentes, toca de não deixar água a correr enquanto se lava a louça, toca de não deixar a água do duche a correr até se entrar propriamente lá para dentro... toca...

(lembro-me daquela campanha para ensinar, incentivar, as pessoas a lavar as mãos, campanha essa que me deixou envergonhada até à quinta casa decimal. Raios, um país que tem de ensinar estas coisas à sua população, ou é um país que está a falhar em algo, na escola, talvez; ou são os pais que estão a falhar em algo, em casa, talvez. Só espero que tudo isto que estamos a atravessar neste momento em Portugal não sirva de pretexto para que as pessoas ainda tenham piores hábitos de higiene, é que, se for por aí, teremos outro tipo de problemas)

Vamos à parte do 'ou não' lá de cima:
1. Durante anos vi com os dois olhinhos que o Senhor que está no céu fez o favor de me emprestar à nascença, roturas na rua, roturas essas que ficavam ali durante dias, por vezes semanas, a deitar água sem que existisse uma alminha que as arranjasse. As pessoas passavam ao lado tentando evitar que a água as molhasse, essa era a maior preocupação (telefonar para informar da rotura era mais bolos) e, nada era feito por instituições que têm a função de verificar, supervisionar, passar a pente fino diariamente, ruas, avenidas, becos, ou o raio, para que se resolva o problema de imediato. Ou seja, acabava por ser arranjado mas, imagino, a quantidade de água desperdiçada até aí. Mas, lá está, na altura, a seca era coisa que só acontecia noutros países. O ser humano e a sua arrogância de achar que só acontece aos outros.

2. Durante anos também vi regas em jardins públicos, espaços públicos, que regavam o passeio em vez de regar a relva propriamente dita. Portanto as pedrinhas da calçada precisavam de se refrescar, enquanto alguém menos atento, ou se calhar atento a outras situações com mais importância, não se dava ao trabalho de verificar se a história da rega automática estava a funcionar nos conformes.

3. Durante anos também vi e continuo a ver, espaços públicos a serem regados na hora de maior calor - falo do Verão, obviamente - quando se sabe, ou pelo menos se deveria saber que, regar na hora de maior calor é um total e completo desperdício de água. Metade da água evapora-se e a área a ser regada acaba por não o ser de forma satisfatória. 

E mais exemplos existem por aí, pena é que os nossos jornalistas não aprofundem um pouco mais esta situação grave da seca. Isto, por exemplo, de se escrever que o rio Tejo pode secar, é aprofundar mais um pouco e informar com mais rigor. Penso que não basta dizer que não chove e tal. E, já agora, se não for pedir muito, poupem-nos a entrevistas a pessoas que não saem da igreja porque se encontram a rezar para que chova. Isto não vai lá com rezas. Se fosse por aí não teríamos que nos preocupar.

domingo, 19 de novembro de 2017

(obrigada a Sir David Attenborough pelo magnífico vídeo e obrigada ao 'Eixo do Mal' por o ter divulgado)

Penso que há já muito tempo que não via um vídeo tão bom (admito estar cansada de vídeos ditos virais que por vezes são do mais imbecil que existe), capaz de nos fazer encolher de todas as maneiras, reduzir-nos à grande insignificância que somos todos nós. Sim, somos insignificantes perante a magnitude da natureza. Somos insignificantes quando nos vestimos de uma altivez ignorante e a destruímos sem dó nem piedade. Somos insignificantes, estúpidos ao mesmo tempo, quando percebemos que fizemos porcaria, queremos dar um passo atrás remediando tudo aquilo que, infelizmente, já não tem remédio. Tenho cá para mim que a natureza tem algo de humano - não sei se o termo humano encaixa bem neste contexto -  humano naquele sentido que pode perdoar os nossos disparates mas não esquece. O não esquecer é que me deixa preocupada. 



(sugestão: se se assistir ao vídeo em modo écran inteiro o impacto é bem maior -
são apenas 2 minutos de vídeo)