segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Pudesse eu escolher a canção vencedora do Festival da Canção 2018 e essa canção seria esta:

Gostei muito da interpretação de Catarina Miranda, Catarina que interpretou magnificamente a canção que tem por título "Para Sorrir Eu Não Preciso De Nada", até o título é adequado para os dias que parecem correr para todos os lados menos para o lado que nos ajuda a caminhar menos nervosos, menos stressados, menos ansiosos. Foi a única canção que conseguiu fazer-me sentar por uns minutos, ouvir atentamente e, sem querer, sorrir. Fiquei deliciada não só com a voz melodiosa de Catarina, com a interpretação e por interpretação refiro-me à postura, aos gestos, como também com a forma como foi vestida, maquilhada, (des)penteada. Aquilo foi como que um desarrumar a casa toda. Desarrumar ideias feitas, desarrumar todo um rol de convenções, desarrumar tudo aquilo que está pré-estabelecido.

Diria que herdar o peso de igualar um grande representante do Festival da Canção como foi Salvador Sobral, não é fácil, no entanto Catarina Miranda conseguiu, sem dúvida. Isto na minha opinião, obviamente.

(eis a Catarina que, a representar Portugal, não nos vai deixar ficar, de todo, envergonhados)


domingo, 18 de fevereiro de 2018

Cada vez mais, entendo menos, frases como: "contribui para a normalização da homossexualidade"

Desde criança que convivo com homossexuais, mais concretamente um, um homossexual de quem a minha mãe era muito amiga. Homem ligado ao mundo das artes plásticas, nesse mundo a homossexualidade é algo dito natural, é um facto que a maioria não se assume mas por vezes dou comigo a perguntar a mim mesma qual a razão de alguém ter de assumir perante o mundo algo que só à própria pessoa diz respeito? Intimidade. Intimidade que nada mais é do que, algo que é nosso e sendo muito nosso, pertencendo a um mundo privado, mundo particular, não entendo a razão de uma pessoa ter de se expor e passar a ser público. Ficar ali para debate também ele público, discutido por todos e mais alguns, pormenores de uma vida que deveria ser apenas, e só, vivida, discutida, pelas pessoas que interessam. As envolvidas. As duas que neste caso serão do mesmo sexo. Até vou mais longe, por que razão as pessoas homossexuais têm de, como que pedir autorização à família em modo desculpem qualquer cosinha, mas, olhem, acontece que não somos tão normais quanto todos os outros. Dão licença ou vão expulsar-nos da família como se se tratasse de uma sujidade qualquer? Uma doença contagiosa, quem sabe!? Têm tempo, não precisam de dar uma resposta já, podem consultar a vizinha, o amigo mais próximo, o colega de trabalho, o senhor da mercearia e, quem sabe, se todos chegarem a um consenso, se fizerem o obséquio de consentir, de não nos condenarem, aí sim, podemos respirar de alívio e seguir com a nossa vida. E acho que para aquilo ficar mesmo nos conformes talvez devesse ser publicado no Diário da República. 

Dizer que não se concorda com a exposição da vida intima de alguém, não é, de todo, enfiar a cabeça na areia e fingir que o assunto da homossexualidade não existe, aliás, para mim é um não assunto. Não assunto porque não me diz respeito. Não assunto porque as pessoas deveriam estar preocupadas com as suas vidas, vidas sexuais também, que por vezes cheira a inexistente e deixarem-se disso de falar do que os outros fazem ou deixam de fazer debaixo de lençóis ou em cima dele. Portugal por vezes parece um pátio a céu aberto. Nunca o sexo foi tão sobrevalorizado como agora. É um género de 8 ou 80. Se lá no tempo dos meus avós falar de sexo era um tabu, agora a coisa chegou a um extremo em que toda a gente quer dar um palpite em relação ao que os outros fazem com as suas vidas íntimas.

Este texto nasceu porque se atravessou na minha frente um texto de Isabel Moreira em que escreve:
«Obrigada, Adolfo Mesquita Nunes»

Bem que eu gostaria de perceber aquele obrigada... E bem que me dava jeito não achar que normalização passa por cada um viver a vida sem ter de dar explicações acerca da sua vida íntima a quem quer que seja. Só que acho. Não me dá jeito nenhum.

sábado, 17 de fevereiro de 2018

A história do José Manuel e do Manuel José na sua ida ao café da esquina (na vida, como nos blogs, as semelhanças existem)

Imagine-se a mesma rua e o mesmo café da esquina. Imagine-se que a esquina onde está arrumado o café ainda conta com alguma distância, distância que não sendo muita, não é de menosprezar. Imaginem-se as mesmíssimas circunstâncias. Imagine-se que a única coisa diferente e não por acaso, é que num o nome é próprio, para no caso seguinte já ser apelido - José Manuel e Manuel José.

Agora imagine-se o José Manuel a quem se perguntou aquando da vinda do café se o dia estava a correr bem (?). Ao que o José Manuel responde de imediato que é sempre a mesma coisa, não há nada de novo, cá vamos indo, é um dia atrás do outro, a vida é mesmo assim e cá se vai vivendo como Deus quer. Pela resposta do José Manuel deduz-se que Deus não deve querer grande coisa para o José, o próprio.

Agora imagine-se um  Manuel José a quem se perguntou aquando da vinda do café se o dia estava a correr bem (?). Ao que o Manuel José responde sem que antes o rosto se lhe ilumine com um sorriso:

Então mas não haveria de estar a correr bem porquê? Está sol, no caminho encontrei a ti Miquelina, esteve-me a contar que a neta finalmente encontrou trabalho lá em Lisboa, está feliz a ti Miquelina pela neta, eu também fiquei feliz por a piquena ter trabalho e dinheiro, a juventude precisa de casar, ter gaiatos, a ver se o mundo anda para a frente, depois encontrei o gato do ti João esparramado ao sol, aquilo é que é vida, tomara eu, depois vi que na berma da estrada antes do café estavam a crescer umas flores amarelas, colhi meia dúzia para oferecer à minha Albertina, vai ficar feliz, e em ela estando feliz em fico mais feliz ainda, se calhar com tanta felicidade sou bem capaz de ter arroz de pato para o jantar, depois no café ainda joguei dominó com os compadres, bebi um bagacito que dias não são dias, olhe, menina, já não me lembro o que é que me perguntou, desculpe, sim, mas que este dia me está a correr bem, está sim, menina. Cá se vai vivendo como Deus quer.

Resumo: tendo o José Manuel e o Manuel José no caminho para o café encontrado exactamente as mesmas coisas, estando reunidas as mesmas circunstâncias, qual a razão de um dizer "que é sempre a mesma coisa" e o outro relatar minuciosamente tudo o que encontrou pelo caminho, sentindo-se feliz?

Será que Deus, isto para quem acredita em algo, tenha a sua fé, quer efectivamente mais para um do que para o outro? Dará óculos para ver a vida, óculos melhores a um do que a outro? Ou somos nós que construímos os nossos próprios óculos porque, a bem dizer, Deus não percebe nada de negócios de óculos.

A vida deverá ser vivida em modo sucinto ou em modo extenso? E a escrita? O que fazemos com a escrita, senhores?!

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Escolhas.